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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Maratona




O maratonista durante a corrida, depois de percorrer muitos quilômetros olha para trás e não enxerga mais o início. Sabe que já percorreu mais da metade da prova, está cansado e com muitas bolhas nos pés. Pensa em diminuir o ritmo quando vê o que já passou, mas nesse instante olha para frente e vê a linha de chegada se aproximando. Os pés doem, o fôlego não é mais o de início, o corpo sofre e ainda há muito para correr. Como aliado tem o vento, o sol, a chuva, o frio, o calor, tudo no seu tempo. O incentivo da torcida faz acelerar, e quando está contra por vezes o desestimula, mas pode servir como aditivo.

Ele não corre para vencer. O mais importante é correr contra si mesmo, por vezes a meta é apenas conseguir completar a prova. Como estratégia pode correr a distância toda em ritmos diferentes ou andar e correr alternadamente por todo o percurso.

O importante é não parar...

Sabe que ao cruzar a linha de chegada deve estar inteiro, mesmo cansado, e satisfeito e em paz por não ter prejudicado nenhum outro corredor. A distância percorrida lhe dará uma enorme satisfação de dever cumprido, mas sente no percurso a dificuldade que é completar a prova.

O que deve ter em mente? Foco no seu objetivo; atenção; equilíbrio entre a razão e a emoção, para saber quando acelerar e quando desacelerar; esquecer o cansaço.

O importante é não parar...

Em sua mente já pensa na próxima corrida, tem que ser melhor que essa, os pés não podem sofrer tanto, tem que ter mais folego, precisa eliminar alguns problemas que tiram a concentração. Programa mentalmente que se cuidará melhor para que o corpo tenha um melhor desempenho, que esteja mais preparado física e mentalmente. Sempre na hora da corrida se conscientiza da importância de traçar metas para que os obstáculos sejam menores, os tropeços custam caro... Essa já está acabando, seja qual for o resultado, agora é pensar na próxima.

A maratona 2014 está acabando... Que a 2015 seja melhor!




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Shakespeare


Esse texto de William Shakespeare é muito reproduzido, mas é de uma verdade irrefutável.

Feliz daquele que consegue a tempo enxergar a sua  mensagem!



O Menestrel


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança ou proximidade. E começa aprender que beijos não são contratos, tampouco promessas de amor eterno. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos radiantes, com a graça de um adulto – e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, pois o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, ao passo que o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol pode queimar se ficarmos expostos a ele durante muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe: algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e, por isto, você precisa estar sempre disposto a perdoá-la.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva um certo tempo para construir confiança e apenas alguns segundos para destrui-la; e que você, em um instante, pode fazer coisas das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e que, de fato, os bons e verdadeiros amigos foram a nossa própria família que nos permitiu conhecer. Aprende que não temos que mudar de amigos: se compreendermos que os amigos mudam (assim como você), perceberá que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou até coisa alguma, tendo, assim mesmo, bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito cedo, ou muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que verdadeiramente amamos com palavras brandas, amorosas, pois cada instante que passa carrega a possibilidade de ser a última vez que as veremos; aprende que as circunstâncias e os ambientes possuem influência sobre nós, mas somente nós somos responsáveis por nós mesmos; começa a compreender que não se deve comparar-se com os outros, mas com o melhor que se pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se deseja tornar, e que o tempo é curto. Aprende que não importa até o ponto onde já chegamos, mas para onde estamos, de fato, indo – mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar servirá.

Aprende que: ou você controla seus atos e temperamento, ou acabará escravo de si mesmo, pois eles acabarão por controlá-lo; e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa o quão delicada ou frágil seja uma situação, sempre existem dois lados a serem considerados, ou analisados.

Aprende que heróis são pessoas que foram suficientemente corajosas para fazer o que era necessário fazer, enfrentando as consequências de seus atos. Aprende que paciência requer muita persistência e prática. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, poderá ser uma das poucas que o ajudará a levantar-se. (…) Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido: simplesmente o mundo não irá parar para que você possa consertá-lo.

 Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás. Portanto, plante você mesmo seu jardim e decore sua alma – ao invés de esperar eternamente que alguém lhe traga flores. E você aprende que, realmente, tudo pode suportar; que realmente é forte e que pode ir muito mais longe – mesmo após ter pensado não ser capaz. E que realmente a vida tem seu valor, e, você, o seu próprio e inquestionável valor perante a vida.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ano Novo! Século Novo?




“Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: Ás vezes apenas um segundo.”

Em meio aos usuais clichês referentes à passagem rápida do tempo, repetidos durante o ano todo, mas de forma mais feroz próximo ao natal, chegam nossas eternas reflexões de final de ano.

E sempre necessário fazer o balanço anual das conquistas e frustrações, mas ultimamente deve-se deixar a balança mais leve para não correr o risco de começar a nova roda viva na desesperança. É tempo de ação, física e mental, portanto não nos deve caber nesse momento desgastes acerca daquilo que não deu certo, ou muita celebração pelo que deu.

Na contra mão ao que se prega ultimamente de que devemos parar um pouco de tanto correr, chego a conclusão de que temos que correr mais, e assim quem sabe alcançarmos o tempo atual, que não está dando tempo pra ninguém...

Mensagem subliminar neste momento turbulento da humanidade onde obviamente que correr, neste contexto, não quer dizer estressar-se demasiado, e sim acompanhar o século XXI de forma definitiva, pois estamos entrando em 2014.

Passados treze anos da virada do século, ainda estamos sonolentos e temos que imprimir rapidez para nossa estada no novo milênio, senão ficaremos para trás.

O que foi errado passou e o que deu certo também, no mais resta-nos viver o presente inserido no novo tempo, por isso deve-se correr. Não há mais espaço para reflexão coletiva, não cabem mais lamentações, temos que nos adaptar, e estamos atrasados, tal qual o coelho branco de Alice.

Como contraponto ficam as questões individuais, que nessa correria para acompanhar o tempo tem ficado de lado. É preciso mudar o sentido e a direção da vida, parar em si e assim correr como o tempo e no tempo.

Portanto, para muitos antes da hora, fica o meu balanço de 2013. Ansiosa pela chegada de 2014, espero que meu relógio deixe de ser uma referência e que eu consiga mergulhar no novo tempo de forma definitiva, afinal este é o meu tempo.


 “É tarde! É tarde! É tarde até que arde! Ai, ai, meu Deus! Alô, adeus! É tarde, é tarde, é tarde!”



FELIZ 2014

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Evolução e Valores








Já faz algum tempo que me interesso por filosofia, e mesmo de forma absolutamente empírica, tento entender e desvendar os mistérios do novo século, até por ter nascido no final dos anos sessenta, onde achávamos que ao limiar do ano 2000, não haveria com o que se preocupar, afinal o mundo ia acabar. Outro motivo ainda mais importante é a convivência com os jovens do novo século, criados de forma muito diferente da minha. Reconheço estar perdida em pensamentos conflitantes, e a sensação de fracasso tem me acompanhado dia após dia na tentativa de me integrar aos novos valores.

Não quero usar dogmas religiosos na construção deste texto, apesar de ter minha fé bastante presente nos meus atos, minha intenção é de pensar coletivamente, e o coletivo é laico.

Não existem hoje critérios para distinguir o justo do injusto, o bem do mal, o belo do feio. Tudo é relativo, subjetivo. Não existem mais valores, tudo depende das circunstâncias e dos interesses do momento.

Consigo entender essa crise de valores que atravessa todos os domínios da sociedade por três motivos:
  •  As críticas sistemáticas que muitos filósofos modernos fizeram aos valores tradicionais;
  •  a crise nos modelos e relações familiares;
  • as profundas alterações econômicas, científicas e tecnológicas que a nossa sociedade moderna tem conhecido (globalização).

A filosofia moderna teve o objetivo de derrubar os valores anteriormente intrínsecos a sociedade. Marx argumentava que os valores de uma dada sociedade serviam somente a classe dominante e por isso deveria ser destruído. Nietzsche afirmava que não existiam valores absolutos e que sempre esses eram produtos de interesses egoístas dos indivíduos. Freud nos mostrou que os valores morais fazem parte de um mecanismo mental repressivo formado pela interiorização de regras impostas pelos pais.

Conjuntamente as propostas filosóficas do século XX, a família, que em princípio é onde o ser humano adquire seus primeiros valores está mudada, as estruturas familiares estão em crise, refletida no aumento de dissoluções de casamentos, no aparecimento de novos tipos de uniões. Por isso muitos pais não conseguem eleger um conjunto de valores que considerem fundamentais na educação de seus filhos.

Completando a análise dos motivos, as alterações da sociedade moderna no século XXI, que não só estimularam o abandono dos valores tradicionais, mas parecem ter conduzido a humanidade para um vazio de valores. A globalização que difundiu as mais diversas culturas, nem sempre de forma positiva.

Não é suficiente ao homem de hoje conhecer o outro e suas necessidades para se chegar a uma convivência harmônica, ao contrário, ser feliz hoje é dominar a técnica e a tecnologia, ser feliz é ter. Não há mais lugar para a comunidade, se aposta no individualismo, no consumo e na rapidez.  No atual momento existe um gravíssimo problema ético onde forças de dominação tem se consolidado nas estruturas sociais.

Através da crítica e do esclarecimento seria possível desvendar essa dissimulação ideológica nos diversos valores que foram destruídos e outros que foram instituídos goela abaixo, mas, sabendo disso essas mesmas forças dominantes tem procurado controlar a mídia, impedindo o homem de pensar, de descobrir uma nova maneira de ser e se ver, e encontrar uma saída para a banalização do mal e do mecanismo em que estão ausentes o pensamento e liberdade do agir.

Esse panorama nebuloso da sociedade em que estamos vivendo não é consensual, muitos acham que é a evolução que deixou a moral menos rígida e monolítica, que estamos atravessando uma fase mais aberta e sensível às diferenças individuais.

Mas uma coisa é certa, esses novos valores relativistas estão se mostrando extremamente funestos para a humanidade, por isso é necessário estabelecer novos consensos em torno dos valores que referenciavam nossos relacionamentos pessoais e coletivos, para que o futuro comum não seja ainda mais prejudicado.

É um tema vasto, polêmico e indigesto, que pretendo gravitar em novas divagações, e quem sabe, ser um grão de areia que consiga criar uma discussão a respeito, em prol da verdadeira evolução da humanidade, que está longe de ser a propagação da liberalidade sem limites proposta pela mídia.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cores da vida


Aquele parecia ser mais um dia tedioso, daqueles que ao acordar, viramos para o lado e perguntamos a nós mesmos se não podemos ficar na cama.

Já no banheiro, Stella começava a enumerar os diversos afazeres do dia: Ir para o trabalho; agendar seus exames médicos; buscar o filho na escola; supermercado... De certo mesmo, só a correria, já que não conseguia um minuto para si. No trânsito relaxava, ouvia música e pensava naquilo que poderia ter feito e no que poderia fazer para tornar a rotina mais agradável, e nos mais ou menos cinquenta minutos de deslocamento de casa ao trabalho, traçava metas que tentava cumprir com determinação, porém, muitas dependiam de um pouco de sorte... A vida seguia em preto e branco.

Já tinha lido vários livros de autoajuda na tentativa de clarear a mente e se conhecer melhor. Não que acreditasse que lhe ajudariam, mas achava que o autoconhecimento lhe fortificaria o caráter e a vontade, mas tudo ficava na teoria.

Nesses devaneios diários, dirigia mecanicamente no caótico trânsito. Até que um dia, desses de chuva, numa distração, o carro bateu violentamente contra o guard-rail. Uma batida nem tão grave, mas que deslocou o pescoço violentamente e a imobilizou na hora com uma dor de cabeça lancinante.

Essas pancadas que a vida dá, muitas vezes literais, para nos fazer parar e pensar nela...

Sem poder se mexer, após ser socorrida, soube estar com uma lesão cervical que lhe deixaria imobilizada por um tempo. Imaginou que se sobrevivesse  ela mesma iria escrever um novo livro de autoajuda...

Hora de trabalhar em causa própria.

No começo veio a revolta e o desanimo, depois, inteligentemente concluiu que tudo continuava a andar como sempre, de outra forma, mas andando. Decidiu então olhar para dentro de si e acordou.

Ah! Essa rotina do dia a dia que nos afasta de nós mesmos, quantos não perdem a vida por isso. Sorte daquele que no fundo do poço acha uma mola, e pula de volta pra vida...

Assim foi para Stella, achou sua pequena mola no fundo e ainda sem saber como, completamente imóvel fisicamente, sacudiu sua alma e pulou até achar a luz.

Neste trajeto percebeu que não se importava mais com algumas coisas antes tão importantes. Alguns fatos que sempre fizeram tanto sentido passaram a não significar mais nada. As compras, a casa, o carro, as viagens... Em contrapartida outras tão abstratas passaram a ter todo o sentido. A fé, a vontade, o amor, a amizade, um cheiro, um gosto, um olhar.

Do teto branco do seu quarto de hospital, começava a enxergar várias cores nunca percebidas quando vivia no meio do arco-íris. Agora o tempo fez parada do seu lado, dando a chance de localizar perfeitamente onde esta a tal mola... Ia perder essa chance?

Mudanças bruscas na rotina de quem nunca quis sair dela é difícil, mas para Stella foi mais fácil do que ela imaginava. Ela que sempre foi avessa a mudanças teve que enxergar nisso a oportunidade de viver, e fez essa opção. Ao optar pela vida, facilitou tudo.

E não é que em meio aos dolorosos tratamentos, cirurgias, fisioterapias e medicações, está mais serena? Encontrou dentro de si mesma uma força esquecida. Essa determinação a deixou  mais calma, e porque não dizer; mais feliz...

Uma nova rotina se estabeleceu, mas entendeu que não durará para sempre e não sofre mais por isso. Em um paradoxo conseguiu sentir que a inconstância da vida nos deixa mais firmes para desfrutá-la.

Em meio a sua estrada entendeu que a felicidade é o caminho e não o destino. Ainda em sua cadeira de rodas, indo para mais um dia de fisioterapia, enxerga todas as cores do caminho. Espera poder andar novamente, continua lutando para isso, mas se não conseguir, não vai mais perder o colorido da vida. Enxergar em preto e branco? Nunca mais.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Como nossos pais...




Quando eu ouvia a música “Como nossos pais” de Belchior, nos anos de minha adolescência e juventude, tentava entender aquela mensagem, mas tinha certeza que a cantaria nos anos da maturidade. Intuição que me persegue... Graças a Deus!

Pois é, a maturidade chegou, o mundo é outro, mas canto essa música com a atualidade de sua mensagem, mesmo que hoje as indagações dos jovens sejam outras, e eles próprios sequer conheçam essa canção, nem o autor.

Nova postura, nova polemica, nova sociedade. Nova sociedade? Será?

Naquela época pedíamos por liberdade, mas para tê-la, precisávamos ser independentes, o que era muito custoso e dependia de privações e sacrifícios. Mas a minha geração conquistou isso, e prometeu que não deixaria que os filhos passassem pelo mesmo problema. Daríamos a liberdade, para que eles  pudessem alçar seu voo tranquilamente, sem todo aquele sacrifício de estudar a noite, trabalhar o dia todo, submeter-nos as ordens dos pais, a repressão paterna e tantas e tantas proibições. Sem contar que demos uma infância mais livre, sem tantas proibições para que pudessem expressar livremente seus pensamentos e os discutissem sem problemas conosco. Nossas proibições, quando existiam, eram com argumentos embasados.

Hoje pergunto: Isso foi suficiente? Resolveu o problema que nós tivemos? Eles entenderam isso? Ou somos os novos repressores?

Resolveu aquele problema, criou outros, e assim a música fica atual, porque nos vemos forçados a ser como nossos pais, e a juventude, por outros motivos não se interessa pela nossa experiência, assim como não nos interessava a de nossos pais.

Vejo hoje, os amigos transgressores de ontem, desestruturados, filhos desgarrados e amorais (que é muito pior do que ser imoral). E aqueles que acataram as ordens paternas e buscaram ser independentes com todo o sacrifício que se exigia, estão melhores na sua maioria, estruturados, porém com dificuldades em gerir essa geração de hoje, que é individualista ao extremo. Voltados para o seu mundo particular, com o conforto que nós mesmos proporcionamos.

A liberdade empenhada nos trouxe jovens perdidos em seus conflitos, já que tudo pode e tudo é possível ser ou fazer. Essa angústia é válida? O que era melhor? Isso é evolução? O tempo dirá...

É o lamento de alguém que olha o mundo atual com medo, medo do que possa ser novo no futuro próximo, do que será novidade amanhã, quais gagets serão inventados com o propósito de aproximar as pessoas e num paradoxo as afastar cada vez mais dos seus próximos.

E com esse medo acabo me transformando num ser “como nossos pais”, tentando retroceder um pouco.



Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

Belchior

quinta-feira, 14 de março de 2013

Filosofando...


Vivemos cercados de verdades, dogmas e termos em nosso dia a dia que se confundem e nos atrapalham nas questões da vida cotidiana. Palavras como democracia, justiça, liberdade, direitos, verdade, realidade, fazem parte de nosso vocabulário sem que tenhamos tempo de interpretá-las da forma correta. É certo que em cada geração elas podem ter sentidos distintos, porém, seu significado é  imutável desde a antiga Grécia.

Os primeiros pensadores, aqueles que primeiro se conscientizaram da própria ignorância, e por isso criadores das primeiras concepções filosóficas, nos deixaram os significados destas e de outras tantas palavras. Mas será que as utilizamos de forma correta? Será que realmente conseguimos entender? Eu não. Tento, me esforço, mas certamente não possuo a mente ainda liberta de conceitos e dogmas impregnados no decorrer da vida. Mas continuo tentando.

Um exemplo: Vivemos mesmo em uma Democracia? Segundo os melhores dicionários democracia é o “sistema político cujas ações atendem aos interesses populares”. Ora, não é preciso ser um bom observador para enxergar que não é esse o regime político que nos rege!

Os mais condescendentes poderão dizer que é um processo em evolução, pois saímos de uma ditadura e estamos engatinhando para uma democracia plena. Não aceito. Então não é ainda! É preciso achar um novo termo para esse nosso regime político. “Tirania Coletiva” talvez? É uma ideia... Cabe bem ao vermos o significado do que é ser tirano.

Não se trata de ser purista e sim de usar o significado das palavras no seu sentindo real, sem querer iludir ou enganar a quem quer que seja, para assim entender as diversas e diferentes questões do nosso dia a dia que se apresentam.

Deparamo-nos hoje em dia com barbáries que ora nos assustam pelo ineditismo, ora não nos causa reação pelo fato corriqueiro. Nestas ocasiões clama-se por Justiça! Ela existe igualmente para todos? Claro que não, responderão todos sem pestanejar. E então? Fujamos todos para as diversas religiões existentes, buscando abrigo para ficarmos imunes às barbáries e injustiças dela decorrentes. Será a solução? Mas se a solução não for para todos, então não é justiça.

A nossa justiça não usa a venda da imparcialidade, não usa a espada para que se faça valer para todos e tampouco tem a balança nas mãos que dá equilíbrio e ponderação.

Estamos na era da informação imediata, tudo é falado e mostrado sem reservas, tudo se sabe, podemos falar sobre tudo, mas falta-nos mobilização e ação. Será porque é tudo claro demais, falado demais?

Muitos dizem estarmos no fim do mundo. Está escrito! É o apocalipse! Dirão alguns. Acho que é mesmo, pois, se novamente virmos o real significado desta palavra, eis a melhor tradução para tudo o que estamos vivendo. E talvez não devesse ser de todo negativo, senão não estaria escrito!

O perigo está em que deste fim não se faça um bom começo, e esse é o meu medo... Crianças e mais crianças chegando neste planeta para receber o que? Que tipo de valores?

É bom que se reflita seriamente. No meio de tantas campanhas por solidariedade, fraternidades e pelo planeta antagonicamente se veem constantes demonstrações de egoísmo, desarmonia e desperdícios. Falsos moralistas em profusão, com regras e leis próprias para o seu bem viver, diferentes das apregoadas o próximo.

Muitas ideias e pensamentos jogados formando frases, buscando ligação entre si, tentando entender a nova realidade cada vez mais conturbada, um novo sentido às ideias constantemente massacradas no nosso dia a dia pela mídia, uma nova forma de enxergar o mundo condizente com o nosso século XXI, mais rápido e incisivo.

Temos pressa, buscamos, corremos e ao mesmo tempo estamos paralisados, impedidos de pensar por esta mesma pressa. O que é mesmo o apocalipse?

E tudo passa num piscar de olhos!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Mais um ano...



Mais um ciclo se fecha,  em uma velocidade que só se percebe quando ao olharmos no calendário, vemos os meses que passaram e o fim de dezembro próximo.

Lugar comum dizer que o ano foi difícil... acho que é melhor agradecer as provações que me fizeram mais forte e aguardar a felicidade que me faça mais doce.

Ainda com o gosto natalino na boca, procuro incorporar as mensagens de paz e amor no meu dia a dia. Exercício diário na tentativa de ser uma pessoa melhor.

As alegrias estiveram presentes, alguns frutos colhidos, mas a luta continua mais e mais... A fase ainda é de trabalho... muito trabalho... no aguardo da roda gigante da vida girar, para que eu possa ver a paisagem lá de cima!


Renova-te.

Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cecília Meireles


FELIZ 2013!

Opa! o 13 é meu número da sorte!!! 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

NOSSA CASA DE PRAIA



Tinha mais ou menos dez anos quando meu pai construiu a nossa casa de praia, próxima a São Paulo, onde morávamos.  Vendo as obras no início, no local onde foi construído um dos banheiros, imaginei tudo pronto e consegui enxergar nossa família rindo, brincando e aproveitando a casa. Vislumbrei o passar dos anos naquele pedaço de terra, ainda sem piso, que ali seríamos muito felizes. Esqueci, na inocência da minha infância, que também haveria tristeza e dor. Claro, afinal era a vida real.

Durante a construção, acompanhada de perto por meu pai, víamos subir semana após semana uma linda casa, com uma sala ampla, dois quartos, e toda avarandada para um belo quintal. Próxima da praia, ansiávamos por vê-la pronta e assim desfrutar os dias de verão naquele local ainda bem desabitado, com pouquíssimos veranistas. E assim, em dezembro de 1976, passamos a ter endereço certo nas férias.

Em nossa casa de veraneio, inicialmente amarela, vivemos tudo o que foi de bom e ruim de nossas vidas.

No começo tudo era alegria, muito sol, praia, amigos e familiares. Íamos logo após o natal e lá rompíamos o ano novo e adentrávamos janeiro e fevereiro, voltando somente para o início das aulas. Podíamos levar amigas, e eu particularmente sempre tinha a companhia de alguma amiga para desfrutar nas férias. Plantamos mudas de coqueiros e pinheiros e pudemos acompanhar seu crescimento.

Os problemas começaram quando a novidade passou e a adolescência chegou. Passamos a não gostar, principalmente minhas irmãs, de ficar isoladas por quase dois meses na praia, sem telefone e o convívio com a cidade grande. As paqueras e os namoros começavam e meu pai ficava furioso por preferirmos ficar em São Paulo ao invés de desfrutar os dias de sol na praia, na casa construída por ele, para nós.

Anos difíceis vieram, sobrepujando as alegrias das festas de fim de ano, onde pedíamos por um ano abençoado, sempre com muita alegria e esperança.

Sempre que ia naquele banheiro, no mesmo local da minha primeira visita à casa ainda sem piso e telhado, invariavelmente me lembrava do dia em que enxerguei nossa vida lá. Dois sentimentos se alternavam nessas horas, ou estava mais feliz do que imaginei ou tão triste como nunca pensei que pudesse estar.

O tempo passava e a casa e nós nos modificávamos. A piscina foi construída, depois um deck, churrasqueira e muitas outras coisas pensadas por meus pais. Meu pai fazia melhorias na esperança da casa ficar mais atrativa para nós, para que fossemos para lá alegres, sem a incômoda sensação de estarmos lá obrigadas.

Comemorei dois aniversários marcantes, de dezesseis e dezessete anos, naquela casa. Levei aproximadamente vinte amigas para lá, em festas que duravam um final de semana inteiro. Tentava aproveitar a casa da melhor forma possível, de forma a tornar a ida para praia mais prazerosa e com menos brigas.

Marcantes Reveillons, sempre com muitos amigos, todos de branco, com direito a desfile até a praia cantando e tocando, para pular as sete ondas no mar; os carnavais com muita marchinha noite adentro e tantas outras ocasiões que pudemos dar e receber alegria de todos os amigos e familiares; finais de semana e férias com jogos de carta, campeonatos de pebolim e pingue pongue, sem esquecer as filmagens de filmes caseiros onde meu pai era o autor e diretor e nós os atores. Os anos foram passando. Dezenas de fotos marcaram estas ocasiões de muita alegria e felicidade.

Quando me casei, a última das filhas, meu pai resolver ampliar a casa. Já tinha um neto e talvez esperasse mais alguns, portanto os dois quartos da casa eram poucos, apesar de sempre termos nos acomodado muito bem na sala, que era muito grande. Mesmo assim, no ano de meu casamento iniciou-se a reforma da casa, com a subida de um novo andar, tornando aquela casa térrea amarela, em um enorme sobrado com quatro quartos, cinco banheiros, banheira de hidromassagem, sala de TV e jogos, e duas churrasqueiras.

Antes da conclusão da reforma meu pai se aposentou, e com a dificuldade de manter duas casas, e sem querer se desfazer da casa da praia, após alguns reveses, meus pais se mudaram em definitivo para praia. Aquela que era a casa de veraneio passou a ser a residência. Um enorme sobrado para um casal... Em um bairro de veranistas...

Íamos rotineiramente para lá, bem menos do que gostariam meu pai e minha mãe. Com dois netos, agora eu já tinha uma filha, tiveram que se adaptar a sair de São Paulo, e passaram a se ocupar mantendo a casa, exageradamente grande para os dois, e a esperar nossas visitas e a dos netos.

Assim, mais dez anos se passaram. Em uma nova vida caiçara, curtiram a infância dos netos, hoje crescidos, que adoravam a casa grande do vovô e da vovó, onde tudo se podia fazer; nadar, correr, brincar, jogar, ir à praia, churrasquear, comer bobagens, curtir os avós.

A última grande festa que ocorreu na casa foi o aniversário de oitenta anos de meu pai. Depois disso ele adoeceu. A casa passou a abrigar meu pai doente e minha mãe cuidadora. Nossas visitas agora eram para vê-los, assistir a ele e minha mãe. Mais dois natais se passaram e reveillons mais comedidos e íntimos. Até que ele se foi em julho, deixando para trás a sua casa querida, que abrigou alegrias e tristezas de nossa vida em família.

A partir daí tivemos que deixa-la para trás também. Fechamos a porta da casa uma semana depois de sua partida, e depois de dois meses guardamos louças, doamos móveis, e a casa está à venda. Neste mesmo dia desativamos a casa para deixa-la mais livre para a visita de possíveis compradores.

Vamos voltar mais vezes, ainda há muita coisa lá para ser retirada, e quando estiver lá pela última vez, quero entrar naquele banheiro e agradecer pelos trinta e seis anos lá vividos, com lembranças boas e ruins, maravilhosas e terríveis. Certa de termos vivido verdadeiramente como uma Família.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Feliz Ano Novo!



Hoje é como o dia de ano novo! 


Após o carnaval, vamos sepultar o natal, o fim de ano, as férias e entrar de cabeça em 2012 antes que ele acabe! E não é exagero.

Lembrei-me hoje de quando, aos quinze anos, conjecturava junto às minhas amigas, o que eu estaria fazendo quando chegasse o ano 2000. Estávamos nos anos 80 sob impacto da leitura do livro de George Orwell, 1984, e seu Big Brother, o original. Brincávamos com a hipótese do fim do mundo, que seria em 2000. Na ocasião eu fazia a conta de que iria estar com 34 anos, velha. E se o mundo acabasse? Tudo bem, já teria vivido o bastante. 

Não existiam ainda os computadores pessoais, a internet e o mundo não era globalizado. Só os muito ricos viajavam para outros países para conhecer outras culturas. Vivíamos em nosso mundinho, com a TV e seus programas com hora marcada, não havia ainda a cultura da “24 horas no ar”. Tudo podia esperar e tinha sua hora, certa e disciplinada. Meus avós viviam cientes de que já conheciam tudo, nada mais a desbravar. E se houvesse? Desnecessário. Seguiam a vida esperando a hora de ir embora. 

Em um salto, me vi em 1999, preocupada com o bug do milênio, ciente de que o mundo não ia acabar, e sim que nós estávamos acabando com o mundo. Mas a mente ainda vivia no século passado, era muito jovem com os meus 33 anos, não tinha vivido o bastante. Na TV já tínhamos uma infinidade de canais de todas as nacionalidades, a internet  era uma realidade e a globalização dava seus primeiros passos. A consciência de que eu não conhecia nada ficava mais evidente a cada dia, com novas descobertas, novas culturas, um mundo que não para, não tem hora e nem lugar. Era preciso mudar. Tratava-se de agarrar o mundo, ou o mundo passaria por cima, te deixando literalmente ultrapassado. 

Começava a corrida... 

Passados doze anos do início do século XXI, nunca ficamos tão conscientes de que é preciso uma grande mudança. Somos de outra era, ainda não sabemos lidar com a urgência de hoje. Estamos adoecendo. Pobres de nós, jovens do século passado. 

As convicções mudaram, e a principal é estar ciente de que elas estarão mudando sempre, nada mais é imutável, sereno, com hora marcada. Sempre haverá o que descobrir, entender e estudar. Nunca estaremos prontos, nada é desnecessário. Estaremos sempre em evolução. 

A geração deste século já nasceu sabendo disso, e para evitar este conflito temos que seguir mudando; a cabeça, as atitudes, o estilo de vida. Seguimos para a geração que não irá arrumar, e sim trocar. Não vai vender, vai se desfazer. Não irá procurar por produtos que sintam necessidade, apenas escolherão de quem comprar, pois ofertas de todos os tipos e gostos não vão faltar. 



Na corrida contra o tempo, a sensação é de que ele não nos dá tempo, e passa inexorável, rápido. Temos que aprender com a geração deste século. Afinal,  vivemos neste milênio e estamos vivos. Mas vivemos? 



Feliz Ano Novo... Para todos nós!