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segunda-feira, 26 de setembro de 2016




Só um lembrete!
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e
inútil das horas.
Desta forma, eu digo:
Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,
pois a única falta que terá,
será desse tempo que infelizmente não voltará mais.
Mário Quintana

Chegar aos 50 e olhar para trás... Pode-se dizer que é um clichê inevitável.

Às vésperas dos cinquenta anos da minha chegada nesta vida, me sinto igualmente de quando fiz 20, 30 e 40 anos. No espelho me enxergo da mesma forma de quando aos vinte tentava alisar meu cabelo sempre tão armado, e hoje quase aos cinquenta, tento armar um pouco os fios alisados pela escova progressiva... Isso todos os dias pela manhã, rotineiramente.

O olhar é o mesmo, a vida é a mesma, a essência é a mesma.

Agora não me mostrem fotos... Nelas vejo o tempo impresso e reconheço a rapidez que se passaram todas as minhas realizações e desilusões. Parece ser assim, no espelho a chama da vida que se renova a cada movimento e nas fotos as marcas que o tempo deixou.

Passou rápido? Passou nada! Se eu começar a pensar nas tantas coisas que aconteceram nesses cinquenta anos fica difícil dizer que parece que foi ontem... Na minha história tem o namoro, o emprego e carreira, o casamento, a filha... Na história ao meu redor tem a ditadura, as diretas já, a televisão colorida, o computador, a internet, os celulares... Caramba, quando aos vinte anos achei que poderia falar com qualquer pessoa em tempo real por meio de um pequeno aparelho nas mãos... E reclamar quando a pessoa demora em responder!

Ao mesmo tempo foi muito rápido quando me lembro de acordar pela manhã, e me olhar no espelho do banheiro da minha casa em São Paulo aos vinte anos, e imaginar que tudo daria certo, que eu iria conseguir ter a vida que sempre sonhei. Piscar e acordar agora, em outro espelho, trinta anos depois. E a estrada que me trouxe para esse espelho foi parecida com a que eu planejei, mas me deixou em um lugar com diferentes conquistas e perdas.


Vou completar 50 anos. Não queria ser uma jovem de novo, porque é muito difícil ser jovem em qualquer tempo, pois não se sabe o que esperar da vida e do mundo, a apreensão é muito estressante, por isso a vitalidade tem que ser grande... Também não quero ser uma senhora de 80 anos, pois quero lutar ainda para não ser amargurada e triste como muitas que vejo por aí, sozinhas e perdidas por terem deixado passar a oportunidade impar que é a vida.

Quero mais é ter 50 mesmo! Pensar em tudo que passei com um sorrisinho no canto da boca, rir de muitas coisas que passaram e ás vezes me entristecer com algumas perdas e fracassos. Viver mais quantos anos ainda me seja permitido viver, pois como disse sabiamente Kundera, “A felicidade de ser festejada supera em mim a vergonha de envelhecer”.

terça-feira, 8 de março de 2016

Ser mulher... Ser homem... Ser humano





Não me sinto capaz de falar sobre emponderamento feminino nesta época em que se exige muito conhecimento das novas regras de conduta da sociedade, do politicamente correto. Regras que, confesso, nem sempre me parecem certas.

De qualquer forma, acredito entender bem o que é ser mulher, e sei que nenhuma regra ou lição dada será aprendida se no berço familiar não existir uma mulher ou um homem capaz de ensinar para a sua filha, e principalmente para seu filho noções de igualdade.

A mim parece óbvio que nunca haverá mulher com autoestima, sabedora do seu poder, enquanto se interioriza uma diferença ensinada desde a infância na criação de homens e mulheres.

Ainda hoje assisto costumeiramente a isso. Meninas criadas para toda e qualquer função doméstica, porque “ela deve saber se virar e cuidar de uma casa e de si própria”, e meninos crescendo sem essa mesma obrigatoriedade, salvo estudar, jogar bola e ser macho. Ser macho é bom, ser fêmea é pejorativo...

Cresci educada em um colégio feminino, e lá aprendi além do currículo escolar, a ser mulher (daquela época). Bordar, costurar, boas maneiras e tudo o mais. Faz tempo? Um pouco. Mas as mulheres já tomavam pílula, Woodstok já tinha acontecido, e foi na minha adolescência que surgiu a AIDS, que segurou a todos naquele ambiente de liberdade absoluta dos amores livres. Mesmo assim, na contramão do meu colégio, fui incentivada a estudar para nunca depender de ninguém, porque apesar de todo tradicionalismo de meu pai, que sempre assumiu o papel de provedor e nunca permitiu que minha mãe trabalhasse, não queria isso para as três filhas.

Certamente se eu tivesse um irmão, a criação dele seria outra. Duvido que tivesse aprendido a cozinhar, arrumar a casa e passar roupa... Mas nós, eu e minhas irmãs, além de aprender tudo isso tivemos que estudar muito, trabalhar, dirigir, e tudo mais que pudesse nos proporcionar independência e que normalmente era oferecido aos homens.

Acredito verdadeiramente que a evolução feminina se deu por conta desses pais que ensinaram as filhas que elas podem sim fazer qualquer coisa que queiram. Ao mesmo tempo acredito que os homens continuam sendo criados como sempre foram, e por isso pouco evoluíram...

A meu ver, a desigualdade de gênero ainda é presente por conta disso.

Enquanto a mulher tem sido incentivada a lutar por igualdade, os homens continuam perdidos em um mundo diferente daquele em que foram criados no berço. Todo e qualquer cenário só será modificado quando forem criados aprendendo além do que já se ensina, a cozinhar, passar, cuidar, costurar e tudo o mais costumeiramente ensinado às mulheres, igualando verdadeiramente os gêneros. Apesar de que hoje são poucas as mulheres que crescem aprendendo isso.

Estamos longe do mundo ideal, e não quero discutir os problemas que ainda enfrentamos, principalmente nas camadas desfavorecidas, onde esse é apenas um dos problemas. Mas o que eu acredito é que a igualdade de gênero, tão hoje conclamada, precede de termos em mente que somos humanos, em evolução, seja em que papel for, e que o papel da família, seja em qual formação for, é criar filhos em igualdade de formação e oportunidades.


Até lá, continuaremos a comemorar o Dia Internacional da Mulher!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Da razoabilidade da sociedade atual...






As notícias que povoam nossos jornais ultimamente não dão conta de mensurar o número de bandidos que andam livremente entre nós. Diversas espécies que se dividem entre o simples mau caráter, os ladrões, os falsários, os estupradores, os pedófilos, os traficantes, os assassinos, os sequestradores, quando não o são tudo ao mesmo tempo. Os tidos honestos, nós no caso, vivemos estremecidos ante qualquer fato próximo a nós e aos nossos, mas cada vez mais ausentes de reação quando vemos as barbaridades notíciadas nos meios de comunicação. Ou seja, medo extremo de que algo de ruim aconteça para nós, mas cada vez mais convencidos que tudo continuará a piorar cada vez mais, não nos causando espécie.

Nosso sistema prisional falido, nossos políticos e governantes somente trabalhando em causa própria, a polícia negligenciada pelas autoridades sendo carcomida pela corrupção. Vivemos o total desmoronamento do Estado Democrático de Direito que um dia foi sonhado por nossos antepassados.

Demoraria páginas a descrever tudo o que não está funcionando ou o que está errado, até porque é quase tudo que não funciona e está errado...

Nossos valores morais, sociais e humanos estão sendo pulverizados de forma absolutamente contundente, sob a pecha da modernidade, disfarçados de evolução, mascarados pelo politicamente correto. Por quem? Nós mesmos...

Quando assumimos como certo a destruição da família ao deixar a educação de nossos filhos para terceiros (babá, escola, televisão, internet e etc.) ou no total abandono emocional, porque não temos tempo e paciência de estar com eles, para trabalhar cada vez mais e suprir todas as necessidades materiais que hoje somos obrigados a ter, algo muito grave aconteceu.  E os extremistas de plantão que não achem que estou falando que a mulher não pode e não deve trabalhar, ou que a destruição da família é a separação do homem e da mulher, por favor.

Ao deixarmos nossas crianças a mercê de tantas informações e fatos, sem orientação alguma do que seja certo ou errado, sem fé em nada (cada qual que escolha a forma de professar a sua), não há como esperar que cresçam sadias emocionalmente e não se deixem cair pelas tentações, pelas drogas (lícitas e ilícitas), pelo ócio, pela contravenção, pelo crime e por aí vai. E se conseguem superar todas essas provas do caminho, ainda há o meio em que se vive, capaz de modificar opiniões e condutas, pois cada vez mais o conceito de liberdade, tão almejado, passa por cima do outro, da família e de quem possa pensar diferente.

A missão mais importante da raça humana é a de criar um filho, ser pai e mãe. Porque é daí que se alicerça o ser humano capaz de transformar o mundo em um lugar melhor, capaz de exigir direitos, se indignar com injustiças, eleger conscientemente seus governantes e evoluir sem destruir.

Como fazer agora com essa sensação de que tudo está perdido? Com nossa sociedade que abandona a criança, em que o jovem só está preocupado com a ascensão profissional e as baladas, que o idoso é negligenciado e a meia idade tem o sabor amargo do fracasso na boca.


E assim caminha a humanidade, a passos largos no caminho do fim.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Maratona




O maratonista durante a corrida, depois de percorrer muitos quilômetros olha para trás e não enxerga mais o início. Sabe que já percorreu mais da metade da prova, está cansado e com muitas bolhas nos pés. Pensa em diminuir o ritmo quando vê o que já passou, mas nesse instante olha para frente e vê a linha de chegada se aproximando. Os pés doem, o fôlego não é mais o de início, o corpo sofre e ainda há muito para correr. Como aliado tem o vento, o sol, a chuva, o frio, o calor, tudo no seu tempo. O incentivo da torcida faz acelerar, e quando está contra por vezes o desestimula, mas pode servir como aditivo.

Ele não corre para vencer. O mais importante é correr contra si mesmo, por vezes a meta é apenas conseguir completar a prova. Como estratégia pode correr a distância toda em ritmos diferentes ou andar e correr alternadamente por todo o percurso.

O importante é não parar...

Sabe que ao cruzar a linha de chegada deve estar inteiro, mesmo cansado, e satisfeito e em paz por não ter prejudicado nenhum outro corredor. A distância percorrida lhe dará uma enorme satisfação de dever cumprido, mas sente no percurso a dificuldade que é completar a prova.

O que deve ter em mente? Foco no seu objetivo; atenção; equilíbrio entre a razão e a emoção, para saber quando acelerar e quando desacelerar; esquecer o cansaço.

O importante é não parar...

Em sua mente já pensa na próxima corrida, tem que ser melhor que essa, os pés não podem sofrer tanto, tem que ter mais folego, precisa eliminar alguns problemas que tiram a concentração. Programa mentalmente que se cuidará melhor para que o corpo tenha um melhor desempenho, que esteja mais preparado física e mentalmente. Sempre na hora da corrida se conscientiza da importância de traçar metas para que os obstáculos sejam menores, os tropeços custam caro... Essa já está acabando, seja qual for o resultado, agora é pensar na próxima.

A maratona 2014 está acabando... Que a 2015 seja melhor!




segunda-feira, 17 de março de 2014

Politicamente Correto. Sou contra!





Não é de hoje que tenho notado a masmorra verbal que nos encontramos quando queremos expressar uma opinião, fazer um comentário, ou simplesmente brincar com alguma coisa ou situação. E muito se tem discutido sobre isso, contra as intervenções em obras literárias consagradas, hoje acusadas de preconceituosas.

Nos inflexíveis “politicamente correto” onde quaisquer comentários podem ser interpretados como maldizer,  devo ter sido rebaixada da categoria de boa pessoa, pois uma simples brincadeira pode ser interpretada como preconceito ou agressão.

Hoje se condena todo e qualquer gesto que possa ser visto como remotamente ofensivo contra quem quer que seja. A intenção pode até ser louvável. O problema é que o temor de ferir susceptibilidades alheias terminou criando exageros. Piadas sobre minorias? Nem pensar! Comentários jocosos? Nunca! Resta uma pergunta: onde é que fica o senso de humor?

Na verdade acho que o que a corrente do politicamente correto faz é generalizar toda e qualquer pessoa que brinca com alguém ou alguma situação em uma mesma categoria de pessoa. A má pessoa. Não interessa se é uma brincadeira ou uma ofensa, essa pessoa deixa de ser bacana e passa a ser uma pessoa má. Sem contar que essa luta (justa por sinal!) pela igualdade tem jogado todos os tipos de manifestação na vala comum da discriminação. Exagero de certo.

Claro que há de se combater todo e qualquer preconceito contra quaisquer minorias, e maiorias também, porque não. Mas não é possível viver sem poder expressar suas opiniões sob o risco de sofrer eternamente sob patrulhamento ideológico.


A mentalidade do politicamente correto pode até ter bons aspectos. Ninguém obviamente quer viver num mundo em que uns odeiem os outros, ninguém (que seja bom) quer racismo ou sexismo. O problema é que da forma que agem os politicamente corretos, estes terminam tornando-se, eles mesmos ofensivos! A correção política  é uma camisa de força. Os adeptos desta mentalidade ficam brigando com as palavras, em vez de se ocuparem dos reais problemas. A mentalidade politicamente correta não permite que você faça julgamentos sobre o que é bom e o que é ruim. Não há padrões, portanto. Isto é nocivo! 

Afinal, como resolver? Educação para o povo, valores morais e sociais. Valores obviamente onde prevaleçam o respeito ao próximo e a igualdade entre as pessoas.

Quem luta contra a mentalidade politicamente correta tenta, na verdade, estabelecer padrões de julgamento muitas vezes necessários, para que não se percam valores importantes para formação das gerações que virão. Ou só mesmo fazer uma brincadeira, porque nestes tempos tão ásperos, há de se ter humor.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Shakespeare


Esse texto de William Shakespeare é muito reproduzido, mas é de uma verdade irrefutável.

Feliz daquele que consegue a tempo enxergar a sua  mensagem!



O Menestrel


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança ou proximidade. E começa aprender que beijos não são contratos, tampouco promessas de amor eterno. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos radiantes, com a graça de um adulto – e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, pois o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, ao passo que o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol pode queimar se ficarmos expostos a ele durante muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe: algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e, por isto, você precisa estar sempre disposto a perdoá-la.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva um certo tempo para construir confiança e apenas alguns segundos para destrui-la; e que você, em um instante, pode fazer coisas das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e que, de fato, os bons e verdadeiros amigos foram a nossa própria família que nos permitiu conhecer. Aprende que não temos que mudar de amigos: se compreendermos que os amigos mudam (assim como você), perceberá que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou até coisa alguma, tendo, assim mesmo, bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito cedo, ou muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que verdadeiramente amamos com palavras brandas, amorosas, pois cada instante que passa carrega a possibilidade de ser a última vez que as veremos; aprende que as circunstâncias e os ambientes possuem influência sobre nós, mas somente nós somos responsáveis por nós mesmos; começa a compreender que não se deve comparar-se com os outros, mas com o melhor que se pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se deseja tornar, e que o tempo é curto. Aprende que não importa até o ponto onde já chegamos, mas para onde estamos, de fato, indo – mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar servirá.

Aprende que: ou você controla seus atos e temperamento, ou acabará escravo de si mesmo, pois eles acabarão por controlá-lo; e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa o quão delicada ou frágil seja uma situação, sempre existem dois lados a serem considerados, ou analisados.

Aprende que heróis são pessoas que foram suficientemente corajosas para fazer o que era necessário fazer, enfrentando as consequências de seus atos. Aprende que paciência requer muita persistência e prática. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, poderá ser uma das poucas que o ajudará a levantar-se. (…) Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido: simplesmente o mundo não irá parar para que você possa consertá-lo.

 Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás. Portanto, plante você mesmo seu jardim e decore sua alma – ao invés de esperar eternamente que alguém lhe traga flores. E você aprende que, realmente, tudo pode suportar; que realmente é forte e que pode ir muito mais longe – mesmo após ter pensado não ser capaz. E que realmente a vida tem seu valor, e, você, o seu próprio e inquestionável valor perante a vida.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ano Novo! Século Novo?




“Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: Ás vezes apenas um segundo.”

Em meio aos usuais clichês referentes à passagem rápida do tempo, repetidos durante o ano todo, mas de forma mais feroz próximo ao natal, chegam nossas eternas reflexões de final de ano.

E sempre necessário fazer o balanço anual das conquistas e frustrações, mas ultimamente deve-se deixar a balança mais leve para não correr o risco de começar a nova roda viva na desesperança. É tempo de ação, física e mental, portanto não nos deve caber nesse momento desgastes acerca daquilo que não deu certo, ou muita celebração pelo que deu.

Na contra mão ao que se prega ultimamente de que devemos parar um pouco de tanto correr, chego a conclusão de que temos que correr mais, e assim quem sabe alcançarmos o tempo atual, que não está dando tempo pra ninguém...

Mensagem subliminar neste momento turbulento da humanidade onde obviamente que correr, neste contexto, não quer dizer estressar-se demasiado, e sim acompanhar o século XXI de forma definitiva, pois estamos entrando em 2014.

Passados treze anos da virada do século, ainda estamos sonolentos e temos que imprimir rapidez para nossa estada no novo milênio, senão ficaremos para trás.

O que foi errado passou e o que deu certo também, no mais resta-nos viver o presente inserido no novo tempo, por isso deve-se correr. Não há mais espaço para reflexão coletiva, não cabem mais lamentações, temos que nos adaptar, e estamos atrasados, tal qual o coelho branco de Alice.

Como contraponto ficam as questões individuais, que nessa correria para acompanhar o tempo tem ficado de lado. É preciso mudar o sentido e a direção da vida, parar em si e assim correr como o tempo e no tempo.

Portanto, para muitos antes da hora, fica o meu balanço de 2013. Ansiosa pela chegada de 2014, espero que meu relógio deixe de ser uma referência e que eu consiga mergulhar no novo tempo de forma definitiva, afinal este é o meu tempo.


 “É tarde! É tarde! É tarde até que arde! Ai, ai, meu Deus! Alô, adeus! É tarde, é tarde, é tarde!”



FELIZ 2014

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Evolução e Valores








Já faz algum tempo que me interesso por filosofia, e mesmo de forma absolutamente empírica, tento entender e desvendar os mistérios do novo século, até por ter nascido no final dos anos sessenta, onde achávamos que ao limiar do ano 2000, não haveria com o que se preocupar, afinal o mundo ia acabar. Outro motivo ainda mais importante é a convivência com os jovens do novo século, criados de forma muito diferente da minha. Reconheço estar perdida em pensamentos conflitantes, e a sensação de fracasso tem me acompanhado dia após dia na tentativa de me integrar aos novos valores.

Não quero usar dogmas religiosos na construção deste texto, apesar de ter minha fé bastante presente nos meus atos, minha intenção é de pensar coletivamente, e o coletivo é laico.

Não existem hoje critérios para distinguir o justo do injusto, o bem do mal, o belo do feio. Tudo é relativo, subjetivo. Não existem mais valores, tudo depende das circunstâncias e dos interesses do momento.

Consigo entender essa crise de valores que atravessa todos os domínios da sociedade por três motivos:
  •  As críticas sistemáticas que muitos filósofos modernos fizeram aos valores tradicionais;
  •  a crise nos modelos e relações familiares;
  • as profundas alterações econômicas, científicas e tecnológicas que a nossa sociedade moderna tem conhecido (globalização).

A filosofia moderna teve o objetivo de derrubar os valores anteriormente intrínsecos a sociedade. Marx argumentava que os valores de uma dada sociedade serviam somente a classe dominante e por isso deveria ser destruído. Nietzsche afirmava que não existiam valores absolutos e que sempre esses eram produtos de interesses egoístas dos indivíduos. Freud nos mostrou que os valores morais fazem parte de um mecanismo mental repressivo formado pela interiorização de regras impostas pelos pais.

Conjuntamente as propostas filosóficas do século XX, a família, que em princípio é onde o ser humano adquire seus primeiros valores está mudada, as estruturas familiares estão em crise, refletida no aumento de dissoluções de casamentos, no aparecimento de novos tipos de uniões. Por isso muitos pais não conseguem eleger um conjunto de valores que considerem fundamentais na educação de seus filhos.

Completando a análise dos motivos, as alterações da sociedade moderna no século XXI, que não só estimularam o abandono dos valores tradicionais, mas parecem ter conduzido a humanidade para um vazio de valores. A globalização que difundiu as mais diversas culturas, nem sempre de forma positiva.

Não é suficiente ao homem de hoje conhecer o outro e suas necessidades para se chegar a uma convivência harmônica, ao contrário, ser feliz hoje é dominar a técnica e a tecnologia, ser feliz é ter. Não há mais lugar para a comunidade, se aposta no individualismo, no consumo e na rapidez.  No atual momento existe um gravíssimo problema ético onde forças de dominação tem se consolidado nas estruturas sociais.

Através da crítica e do esclarecimento seria possível desvendar essa dissimulação ideológica nos diversos valores que foram destruídos e outros que foram instituídos goela abaixo, mas, sabendo disso essas mesmas forças dominantes tem procurado controlar a mídia, impedindo o homem de pensar, de descobrir uma nova maneira de ser e se ver, e encontrar uma saída para a banalização do mal e do mecanismo em que estão ausentes o pensamento e liberdade do agir.

Esse panorama nebuloso da sociedade em que estamos vivendo não é consensual, muitos acham que é a evolução que deixou a moral menos rígida e monolítica, que estamos atravessando uma fase mais aberta e sensível às diferenças individuais.

Mas uma coisa é certa, esses novos valores relativistas estão se mostrando extremamente funestos para a humanidade, por isso é necessário estabelecer novos consensos em torno dos valores que referenciavam nossos relacionamentos pessoais e coletivos, para que o futuro comum não seja ainda mais prejudicado.

É um tema vasto, polêmico e indigesto, que pretendo gravitar em novas divagações, e quem sabe, ser um grão de areia que consiga criar uma discussão a respeito, em prol da verdadeira evolução da humanidade, que está longe de ser a propagação da liberalidade sem limites proposta pela mídia.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cores da vida


Aquele parecia ser mais um dia tedioso, daqueles que ao acordar, viramos para o lado e perguntamos a nós mesmos se não podemos ficar na cama.

Já no banheiro, Stella começava a enumerar os diversos afazeres do dia: Ir para o trabalho; agendar seus exames médicos; buscar o filho na escola; supermercado... De certo mesmo, só a correria, já que não conseguia um minuto para si. No trânsito relaxava, ouvia música e pensava naquilo que poderia ter feito e no que poderia fazer para tornar a rotina mais agradável, e nos mais ou menos cinquenta minutos de deslocamento de casa ao trabalho, traçava metas que tentava cumprir com determinação, porém, muitas dependiam de um pouco de sorte... A vida seguia em preto e branco.

Já tinha lido vários livros de autoajuda na tentativa de clarear a mente e se conhecer melhor. Não que acreditasse que lhe ajudariam, mas achava que o autoconhecimento lhe fortificaria o caráter e a vontade, mas tudo ficava na teoria.

Nesses devaneios diários, dirigia mecanicamente no caótico trânsito. Até que um dia, desses de chuva, numa distração, o carro bateu violentamente contra o guard-rail. Uma batida nem tão grave, mas que deslocou o pescoço violentamente e a imobilizou na hora com uma dor de cabeça lancinante.

Essas pancadas que a vida dá, muitas vezes literais, para nos fazer parar e pensar nela...

Sem poder se mexer, após ser socorrida, soube estar com uma lesão cervical que lhe deixaria imobilizada por um tempo. Imaginou que se sobrevivesse  ela mesma iria escrever um novo livro de autoajuda...

Hora de trabalhar em causa própria.

No começo veio a revolta e o desanimo, depois, inteligentemente concluiu que tudo continuava a andar como sempre, de outra forma, mas andando. Decidiu então olhar para dentro de si e acordou.

Ah! Essa rotina do dia a dia que nos afasta de nós mesmos, quantos não perdem a vida por isso. Sorte daquele que no fundo do poço acha uma mola, e pula de volta pra vida...

Assim foi para Stella, achou sua pequena mola no fundo e ainda sem saber como, completamente imóvel fisicamente, sacudiu sua alma e pulou até achar a luz.

Neste trajeto percebeu que não se importava mais com algumas coisas antes tão importantes. Alguns fatos que sempre fizeram tanto sentido passaram a não significar mais nada. As compras, a casa, o carro, as viagens... Em contrapartida outras tão abstratas passaram a ter todo o sentido. A fé, a vontade, o amor, a amizade, um cheiro, um gosto, um olhar.

Do teto branco do seu quarto de hospital, começava a enxergar várias cores nunca percebidas quando vivia no meio do arco-íris. Agora o tempo fez parada do seu lado, dando a chance de localizar perfeitamente onde esta a tal mola... Ia perder essa chance?

Mudanças bruscas na rotina de quem nunca quis sair dela é difícil, mas para Stella foi mais fácil do que ela imaginava. Ela que sempre foi avessa a mudanças teve que enxergar nisso a oportunidade de viver, e fez essa opção. Ao optar pela vida, facilitou tudo.

E não é que em meio aos dolorosos tratamentos, cirurgias, fisioterapias e medicações, está mais serena? Encontrou dentro de si mesma uma força esquecida. Essa determinação a deixou  mais calma, e porque não dizer; mais feliz...

Uma nova rotina se estabeleceu, mas entendeu que não durará para sempre e não sofre mais por isso. Em um paradoxo conseguiu sentir que a inconstância da vida nos deixa mais firmes para desfrutá-la.

Em meio a sua estrada entendeu que a felicidade é o caminho e não o destino. Ainda em sua cadeira de rodas, indo para mais um dia de fisioterapia, enxerga todas as cores do caminho. Espera poder andar novamente, continua lutando para isso, mas se não conseguir, não vai mais perder o colorido da vida. Enxergar em preto e branco? Nunca mais.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Como nossos pais...




Quando eu ouvia a música “Como nossos pais” de Belchior, nos anos de minha adolescência e juventude, tentava entender aquela mensagem, mas tinha certeza que a cantaria nos anos da maturidade. Intuição que me persegue... Graças a Deus!

Pois é, a maturidade chegou, o mundo é outro, mas canto essa música com a atualidade de sua mensagem, mesmo que hoje as indagações dos jovens sejam outras, e eles próprios sequer conheçam essa canção, nem o autor.

Nova postura, nova polemica, nova sociedade. Nova sociedade? Será?

Naquela época pedíamos por liberdade, mas para tê-la, precisávamos ser independentes, o que era muito custoso e dependia de privações e sacrifícios. Mas a minha geração conquistou isso, e prometeu que não deixaria que os filhos passassem pelo mesmo problema. Daríamos a liberdade, para que eles  pudessem alçar seu voo tranquilamente, sem todo aquele sacrifício de estudar a noite, trabalhar o dia todo, submeter-nos as ordens dos pais, a repressão paterna e tantas e tantas proibições. Sem contar que demos uma infância mais livre, sem tantas proibições para que pudessem expressar livremente seus pensamentos e os discutissem sem problemas conosco. Nossas proibições, quando existiam, eram com argumentos embasados.

Hoje pergunto: Isso foi suficiente? Resolveu o problema que nós tivemos? Eles entenderam isso? Ou somos os novos repressores?

Resolveu aquele problema, criou outros, e assim a música fica atual, porque nos vemos forçados a ser como nossos pais, e a juventude, por outros motivos não se interessa pela nossa experiência, assim como não nos interessava a de nossos pais.

Vejo hoje, os amigos transgressores de ontem, desestruturados, filhos desgarrados e amorais (que é muito pior do que ser imoral). E aqueles que acataram as ordens paternas e buscaram ser independentes com todo o sacrifício que se exigia, estão melhores na sua maioria, estruturados, porém com dificuldades em gerir essa geração de hoje, que é individualista ao extremo. Voltados para o seu mundo particular, com o conforto que nós mesmos proporcionamos.

A liberdade empenhada nos trouxe jovens perdidos em seus conflitos, já que tudo pode e tudo é possível ser ou fazer. Essa angústia é válida? O que era melhor? Isso é evolução? O tempo dirá...

É o lamento de alguém que olha o mundo atual com medo, medo do que possa ser novo no futuro próximo, do que será novidade amanhã, quais gagets serão inventados com o propósito de aproximar as pessoas e num paradoxo as afastar cada vez mais dos seus próximos.

E com esse medo acabo me transformando num ser “como nossos pais”, tentando retroceder um pouco.



Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

Belchior