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quinta-feira, 26 de março de 2026

EXPLORE SEU MUNDO!

 




Há um momento em que precisamos nos reconectar com quem somos de verdade. 

Havia aquela visão de criança de imensidão e dúvida, onde nosso universo se resumia ao que nossos pai e mãe nos mostravam, com a visão e valores deles. E isso determinava se eu era feliz ou não, simples assim. Em seguida a adolescência, com todas as informações que chegavam de fora, normalmente conflitantes com o que tínhamos vivido até então, ampliando nosso horizonte,  para ao nos tornarmos jovens  adultos termos nítido na nossa mente,  agora formada,  os nossos gostos, pensamentos e ambições.

A juventude é a fase mais dolorosa de uma existência, e como compensação é a nossa fase de maior força, prazeres, certezas, paixões, cores fortes e sentimentos extremos. Nessa fase somos quem somos verdadeiramente, e a vida vai passando e agindo como um lapidário; cortando, modelando e polindo nossa mente.

Muitas vezes, essa lapidação vai deixando parte de quem somos para trás, e a maturidade vai sedimentando o que se passou. Há aqueles que ignoram seus sentimentos e seguem a vida sem muitos questionamentos, sonolentos diante dos desafios da vida.

Por muito tempo pensei dessa forma e segui o caminho sem questionar, confiando que o destino é quem comanda, até que aquela estrada se torna não muito agradável, com muitos obstáculos que você sofre ao aceitar transpor, e questiona: “precisa ser assim?”.

Revendo imagens de minha juventude, muito além da aparência jovem, lembrei dos meus objetivos e sonhos, e como  eu era feliz, risonha (ainda sou) e naturalmente segura.

Havia em mim uma sede de saber imensa, que me fazia afundar em livros e mais livros, curiosa de entender a mente humana, lugares do planeta e hábitos diferentes dos que eu conhecia até então. Mas vem a roda da vida e essa curiosidade vai ficando de lado, a maturidade e seu lado racional sepultando as suas ambições genuínas do saber. Entra-se no sistema.

Alguns assim vivem até ir embora da fisicalidade, serenos e resilientes quanto ao destino por eles mesmo escolhido, e não há problema nenhum em assim querer, cada qual com sua escolha. Outros, em situações desafiadoras, despertam, e passam a questionar o porquê e buscam entender os caminhos percorridos. Passa-se para o autoconhecimento, a principal ferramenta para entender quem se é, o que te trouxe até o momento de vida em que se está, e te move para aquilo que se quer, com consciência.

 “Conhece-se a ti mesmo e conhecerás o mundo e os Deuses” *

Cheguei então um tempo atrás nesta encruzilhada da vida, onde  parei para entender quem eu era e se estava fazendo jus a todas as inquietações da juventude. O que vi não me agradou, e creio que ninguém se agrade, uns mais outros menos, do que se tornou. Nas infinitas possibilidades possíveis, escolhi as que julguei melhor, mas havia algumas mais prósperas certamente, mas também outras bastante piores com certeza. E desde então estou novamente nas redes das leituras e estudos, no mesmo ímpeto de aprender e entender, agora mais desperta e sem viseiras, com o intuito de ser meu próprio lapidário, modelando e polindo minha mente eu mesma, até que ela seja realmente uma pedra preciosa no caminho da evolução, sob o meu próprio ponto de vista e não de outros.

Nesta hora, ao rever minhas imagens de juventude, a nostalgia sempre me pega, mas há uma felicidade serena de estar fazendo jus àquela que ansiava tanto, parou por um tempo, mas agora conscientemente, vivendo com as dores e delícias de ser quem se é.


* frequentemente atribuída a Sócrates, frase inscrita no Oráculo de Delfos, que sugere que o autoconhecimento é a chave para compreensão divina e cósmica

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